Os nossos associados e as Metas Curriculares

Resolvemos, neste número da nossa circular, e dada a polémica instalada pela proposta de metas curriculares apresentada pelo grupo de trabalho nomeado pela tutela, dar a palavra aos nossos associados que, respondendo ao nosso repto, nos reencaminharam os pareceres que elaboraram sobre a referida proposta para História e Geografia de Portugal (5º e 6º anos) e para História (7º e 8º anos). Louvamos a sua participação, numa altura do ano letivo nada favorável, atendendo à coincidência com o período das avaliações do segundo período.

Apesar de aqui publicarmos, apenas, as contribuições mais «formais», não queremos deixar de agradecer a todos os outros (associados e não associados) que nos fizeram chegar as suas opiniões via correio eletrónico, facebook ou telefone. Na sua esmagadora maioria, as reações às metas não foram positivas, com quase todos os intervenientes a sublinharem o facto de terem sido introduzidos mais conteúdos sem se verificar um aumento dos tempos letivos.

A8 de abril foi homologado o documento definitivo das metas curriculares. Verificou-se que houve a preocupação em diminuir o número de descritores de desempenho inicialmente propostos (uma diminuição de 15% para o 5º e o 6º ano e de 18% para o 7º e o 8º ano). Houve também a preocupação em alterar a formulação dos descritores mais complexos no sentido de os clarificar e alguns que originaram mais polémica, sobretudo os que exigiam o estabelecimento de comparações entre diversos tempos culturais e políticos, foram mesmo retirados. No 7º ano a alteração mais significativa é a do subdomínio intitulado “As crises do século XIV”, pois aqui foi efetuado o maior corte relativamente à proposta inicial. Surgem conteúdos novos, relativamente ao programa datado de 1991, sobretudo no subdomínio “Das sociedades recoletoras às primeiras sociedades produtoras” e no objetivo “Conhecer o processo de estruturação do mundo grego e de relacionamento do mesmo com outros espaços civilizacionais”. Todos os outros conteúdos já surgiam, de uma maneira geral, no documento de 1991, embora a organização seja agora diferente. No 8º ano a proposta inicial foi substancialmente alterada. Realçou-se agora o caso português, visível no objetivo “Compreender os séculos XV e XVI como período de ampliação dos níveis de multiculturalidade das sociedades” e, no caso do subdomínio “Um século de mudanças (século XVIII)”, não só foram retirados vários conteúdos que existiam no programa de 1991 mas, também, conteúdos que tinham surgido na proposta inicial. Reforçou-se a “afirmação política e económica da Holanda e da Inglaterra” (objetivo 4 do subdomínio “O Antigo Regime europeu: regra e exceção”, retiraram-se e reorganizaram-se conteúdos no subdomínio “Da «Revolução Agrícola» à «Revolução Industrial»” e no subdomínio intitulado “Revoluções e Estados liberais conservadores”. No objetivo “Conhecer e compreender a evolução do operariado” reintroduziram-se alguns conteúdos.

No entanto, e apesar das alterações significativas que se verificaram face à proposta inicial, alguns dos aspetos que estiveram na origem das críticas ao documento mantêm-se, nomeadamente no que diz respeito à extensão de conteúdos. Como tal, e porque consideramos fundamental dar a palavra aos nossos associados, chamamos a atenção para o que dizem sobre a História e o trabalho dos professores de História, para as suas críticas e propostas, devidamente fundamentadas.

A Direcção da APH


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